Maggie’s Centres: Arquitetura para a cura

Escritora, artista e designer de jardins, esses eram os ofícios de Maggie Keswick Jencks, uma escocesa amplamente reconhecida por seus estudos e publicações sobre jardins. Maggie trabalhou ao longo de sua vida em parceria com diversos projetos e é autora do livro “Jardins Chineses”, considerado um clássico sobre o assunto.

Maggie foi diagnosticada com câncer de mama pela primeira vez em 1988. Em 1993, ao descobrir o retorno da doença, recebeu a notícia de forma desumanizada, reflexo das estruturas disponíveis, muitas vezes impessoal e não acolhedora, para a comunicação entre médico e paciente. Em um ambiente hospitalar tradicional, recebeu a notícia de que lhe restavam três meses de vida. Logo após, o que havia disponível naquela estrutura hospitalar, eram as cadeiras ao longo de um corredor branco e mal iluminado para poder processar a notícia que acabara de receber ao lado do seu marido, Charles Jencks.

Maggie’s Fife Cancer Centre | Zaha Hadid Architects

Essa experiência despertou em Maggie o desejo de mudar essa realidade e oferecer uma vivência mais digna para aqueles que enfrentam essa doença. DDurante o seu tempo de vida, que se estendeu por mais 18 meses, Maggie se dedicou a pesquisar ao redor do mundo centros de tratamento para câncer que tivessem como objetivo proporcionar um viver melhor ao paciente.

Foi nesse processo que ela desenvolveu o Centro Maggie, um espaço que rse assemelha a um lar, que proporciona acolhimento, mas  que está longe de casa. Um local que, embora esteja perto de um hospital, em nada se parece com uma instituição de tratamento clínico convencional. Um lugar que envolve e acolhe os familiares em todo o processo da doença, pois para Maggie era primordial tornar a experiência do câncer mais gerenciável para todos os envolvidos.

Maggie’s Centre Royal Mardsen |
AB Rogers Design

Com o apoio de seu marido, teórico e historiador da arquitetura, Maggie delineou um programa de necessidades para o centro:um local com um excelente design e arquitetura, pois ela entendia que o ambiente construído interfere no processo de uma pessoa com câncer. Para ela, a arquitetura também poderia ser restauradora nesse processo. Outro elemento eram os jardins, que deveriam ser coloridos e dotar de espécies florescendo em todas as estações do ano, proporcionando diferentes aromas e paisagens. E sobre paisagem, essas eram obrigatórias em todos os ambientes, onde os jardins deveriam permear o ambiente construído.

O Centro Maggie foi concebido como um local onde os pacientes podem interagir socialmente, compartilhar experiências, receber orientações e apoio emocional e psicológico. O ambiente foi projetado para oferecer tanto privacidade quanto oportunidades para interação coletiva.

Em 1996, um ano após a morte de Maggie, foi inaugurado o primeiro Centro Maggie em Edimburgo, próximo ao hospital onde ela faleceu, com projeto do renomado arquiteto Richard Murphy. Desde então, o conceito se expandiu, e atualmente existem 26 centros no Reino Unido e 3 em outros continentes. Os centros operam em parceria com o sistema público de saúde, oferecendo atendimento gratuito e abrangente aos pacientes com câncer, integrando boa arquitetura e medicina integrativa, sempre em estreita proximidade com os hospitais aos quais estão vinculados.

ara o projeto, são escolhidos arquitetos que consigam se conectar com as necessidades apresentadas e que tenham respostas interessantes e cuidadosas, associadas a uma irreverência projetual na solução dos desafios de cada local. Dito isso, renomados arquitetos como Zaha Hadid, Norman Foster, Rem Koolhaas, Richard Rogers, dentre tantos outros já assinaram obras de Centros Maggie.

Maggie Keswick Jencks

Como Maggie afirmou: “Acima de tudo, o que importa é não perder a alegria de viver com o medo de morrer.” Essa filosofia define o propósito dos Centros Maggie, que utilizam a arquitetura como meio de promover a cura e celebrar a vida.

LINKS PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO E REFERÊNCIA DAS IMAGENS:

www.maggies.org

www.archdaily.com.br/br/601650

www.archdaily.com.br/br/tag/maggies-centres

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